história recente

Outono

Feriado

Consumo rápido

Diário de viagem

A beleza

Silêncio

Isto não é

Tempo

Noites

Cores de vida

Mudanças

...

Paraíso

Às vezes...

Segurança

Anos

Puzzle

Repetições

Memória

Reset

A história

Outubro 2017

Junho 2017

Junho 2016

Novembro 2015

Março 2015

Agosto 2014

Dezembro 2013

Setembro 2013

Outubro 2012

Julho 2012

Março 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Outubro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Outubro 2006

Setembro 2006

Agosto 2006

Julho 2006

Junho 2006

Maio 2006

Abril 2006

Março 2006

Sábado, 14 de Maio de 2011

Resgatado do tempo

Há dias que gostava de nom ter passado, de nom arrastar o peso de dúzias de histórias nas costas e mesmo nom ter História. Que nom pesasse nada do que pesa, que nom houvesse medo nem vergonha, que nom houvesse que dizer sexo quando queremos dizer amor. Atirar a máscara, abandonar essa imagem de adulta, autónoma, independente e mostrar-me sem pele, em carne viva para que qualquer um pudesse experimentar. Passem e vejam! Toquem. Nom há mais nada, apenas carne. Carne com desejo. Nom qualquer um, mas esse um, outro, aquele polo que hoje o estômago nom tem paragem. Tenho na palma da mao umha estúpida carícia que nom dei, um punhado de palavras que nunca tivem coragem de falar. Tenho umha bofetada contida que dói inutilmente, umha aperta espessa que nom era para mim. A minha particular cartografia do fracasso.

 

Há dias como hoje que gostava de cortar as maos, serrar polos pulsos aos poucos, centímetro a centímetro. Atirá-las longe e esquecer que há umha vida nelas, vestir os cotos com luvas, esterilizadas. Quem me dera umha mao virgem. Umha mao sem carícia dolorosa, sem relatos em terceira pessoa que falam de mim, sem ansiedade roída nas unhas, sem a forma do lápis no indicador. Umha mao virgem para deixar-se levar acompanhada, nem acolhedora nem recolhedora. Cada linha um caminho do passado, escondida por capas e capas de cremes hidratantes, suavizantes, a amolecer a novela da vida, o novelo. Retirando cada capa desaparecem os amantes, os desprezos, as filhas, os projectos, as línguas, os momentos sol, os esquecimentos, o amor. Leva-a, traduze-a em nada. Devolve-ma em branco. Ainda que o mapa silencioso de umha vida sem passado seja o Nada. Devolve-ma lisa, definitivamente eu, por fim eu, despossuída. Essa grande mentira que sou agora, com a mao limpa, sem linhas, sem caminhos. Que me devolvam a minha mao. A minha particular cartografia do sucesso.

 

(Texto feito para a peça: O recolector de maos, de Mauro Trastoy -www.trastoy.com-)

 

sons: Paulinho de Viola: Filosofia

Laila_lilas às 22:01

| fala | favorito
|

dizias algo?:
De lectora de ollos críticos a 18 de Maio de 2011 às 12:38
disque o destino vai escrito nas liñas da man, non é? unha man virxe sería, pois, unha falacia...
aínda así - aquilo, a permanencia desas liñas, sería o futuro, non o pasado.
aínda habería esperanza.


De Laila_lilas a 18 de Maio de 2011 às 19:11
isso é, exactamente,
beijos leitora crítica


Comentar post

pesquisar

 

Outubro 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
10
11
12
13
14

15
16
17
18
19
20

22
23
24
25
26
27
28

29
30
31


gosto

Desamparo

Mundos impossíveis

Olhos

Tu também

Eu e a outra

Fantasia de amor

Homenagem privada

Diz Antonio Gamoneda

Escuro

Mais outra vez a lua

blogs SAPO

subscrever feeds