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Quinta-feira, 11 de Maio de 2006

Como

Como. Tenho um pedaço de pão de trigo untado de azeite. Está apoiado na beira dum prato, deixando sítio para o presunto e o pemento vermelho. O processo da comida tem fases. Como o amor. Como a literatura. O antes é a vista. A composição do prato, pão à direita, presunto à esquerda e mais à esquerda o pemento vermelho. E um fio de azeite, ocre, a escorrer polos bordos do pão deixando um rasto premonitório.

Depois é o tacto, abrir a mão no ponto exacto para dar alcance à fatia. Apanhar o presunto entre os dedos, sentir a gordura salgada entre o indicador e o polegar. E com o garfo, colocar tudo acima do pão.

Então é o olfacto. O odor a azeite, azedo. A presunto, salgado. A pemento, picante. As glândulas começam a salivar, a boca enche-se de água e nom é uma metáfora má.

Apoio a fatia de pão nos dentes, um pedacinho de presunto a tocar a ponta da língua transmitindo as primeiras sensações gustativas. Fecho a boca sobre o conjunto e é o ouvido. O estalar da códia do pão, o ranger dos dentes.

Então sim, é o gosto. O azeite a escorregar agora entre a língua e o padal. A textura mole do pemento a desfazer-se, aos poucos, viajando por todo o oco bucal. Entretanto, a mandíbula fai o seu trabalho, mobilizando a dentadura a triturar. O presunto desfia-se para ir mesturar-se com o pemento e o pão. Todo junto, na boca é uma festa de suavidade, sal e picante. Uma festa de líquidos a escorregar pola garganta. Uma festa.

[Longe, afastada, muito afastada, na TV, a gente morre. De fome.]


Laila_lilas às 19:57

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