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Quinta-feira, 6 de Abril de 2006

Aborígene

Olham-me com admiração pela minha qualidade aborígene, escutam com surpresa como falo de vacas, bezerros, trigo.... suspiram por ter a metade de vida indígena que eu tive (tenho dalguma maneira). Perguntam como era a minha infância como se tivesse quarenta anos mais dos que tenho. Que lhes conte a minha vida cheia de carvalhos, e bostas, e lama, e vontade de ir embora. Sou aborígene, indígena, enxebre, com toda uma vida de carvalhos nas costas e a vantagem de viver para contá-lo. Mas eu escuto uma frase que a minha mãe aborígene repete quando não lembro o nome das vacas, dos bezerros, do trigo... e venho duma afastada cidade com atracções urbaníssimas que as carrega o diabo. "Não sei de quem és filha".

Laila_lilas às 14:03

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